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Vendas

Sua loja no Instagram está aberta ou fechada?

O guia simples para transformar seguidores em alunos: abrir a loja todo dia, montar a vitrine, criar confiança no story e fechar a venda no direct.

Guilherme

Guilherme

Estrategista de Mentores de Concurso Público

05 de outubro de 2026

8 min de leitura

Sua loja no Instagram está aberta ou fechada?

O problema quase nunca é falta de seguidor. É que, para a maioria dos mentores, o Instagram funciona como um mural de recados, e não como uma loja.

Outro dia conversei com um mentor que tinha 4 mil seguidores no Instagram. Aprovado em tribunal, conteúdo bom, gente elogiando nos comentários. Quantos alunos ele tinha? Zero.

Na mesma semana, falei com uma mentora que tinha mais de 2.400 interações nos posts e vendia para 15 pessoas. Quinze.

Eu podia te contar vários casos parecidos, porque esse é o padrão. E o problema quase nunca é falta de seguidor. É que, para a maioria dos mentores, o Instagram funciona como um mural de recados, e não como uma loja.

Esse texto é sobre isso: como fazer o seu perfil deixar de ser só um lugar onde você posta conteúdo e virar um lugar onde as pessoas decidem estudar com você.

Primeiro: o que é um funil de vendas, sem complicar

Esquece o nome bonito. Funil de vendas é só o caminho que uma pessoa percorre desde o dia em que ela nunca ouviu falar de você até o dia em que ela vira sua aluna.

Pensa numa loja de rua. Primeiro a pessoa passa na frente e vê a vitrine. Se gostou, ela entra, dá uma olhada, conversa com o atendente, tira dúvida. E, se confiou, ela vai até o caixa e compra.

No Instagram é exatamente igual. Tem a vitrine (onde gente nova te descobre), tem o lado de dentro da loja (onde a pessoa passa a te conhecer e confiar) e tem o caixa (onde ela decide comprar). Só que antes de tudo isso existe um passo que quase todo mundo ignora.

O passo zero: abra a loja todo dia

Eu sempre falo isso com os mentores que acompanho: cada vez que você posta, sua loja está aberta. Postou um Reels, postou um story, abriu a porta. Alguém pode entrar e comprar de você naquele dia.

Agora pensa comigo. Se você posta três dias e some dez, sua loja passou dez dias de porta fechada. O aluno que estava pronto para decidir passou na frente, viu a porta trancada e foi comprar do concorrente que estava aberto. Simples assim.

Por isso, o primeiro passo de qualquer funil no Instagram não é ferramenta, não é anúncio, não é página de vendas. É constância. Todo dia alguma coisa no feed e todo dia alguma coisa nos stories.

"Mas Gui, eu não sei o que postar, fico travado." Essa é, disparado, a frase que mais escuto nas conversas com mentores. E a resposta é mais simples do que parece: você não precisa inventar nada.

Vai no seu nicho e separa os dez vídeos que mais bombaram nos últimos meses. Assiste com calma e anota: como ele começou? O que falou nos primeiros três segundos? Quanto tempo durou? Em que momento pediu alguma coisa para quem estava assistindo? Você vai perceber que os vídeos que funcionam seguem meia dúzia de formatos que se repetem o tempo todo. Estude esses formatos, adapte para o seu jeito e para o seu conteúdo, e publique.

Uma loja simples e aberta todo dia vende mais do que uma loja linda que vive fechada. Constância ganha de criatividade, de verdade.

Etapa 1: a vitrine (atrair gente nova)

A vitrine é o que faz alguém que nunca te viu parar de rolar a tela. No Instagram, quem cumpre esse papel principalmente é o Reels, porque é ele que o Instagram mostra para quem ainda não te segue.

Aqui vale uma regra de ouro: os primeiros segundos decidem tudo. Se você começa com "Oi gente, tudo bem? Hoje eu vou falar sobre...", a pessoa já foi embora. Comece pelo problema dela. "Se você trava na primeira linha da redação, presta atenção nisso." Pronto, quem tem esse problema para e assiste.

E tem um detalhe que muda o jogo: use as palavras que o seu aluno usa. Numa pesquisa com 376 alunos de uma mentora de redação, o sentimento que mais apareceu quando eles pensavam na prova foi insegurança e ansiedade. Não foi "dificuldade com coesão textual". Foi medo. Quando você fala "eu sei que dá um frio na barriga só de pensar na folha em branco", a pessoa sente que você está lendo a mente dela.

Outro ponto: pense em conteúdo que o aluno queira mandar para alguém. Aquele colega do grupo de estudo, o parceiro que vai fazer a mesma prova. Todo compartilhamento é alguém trazendo um cliente novo para a porta da sua loja, de graça.

E o anúncio pago? Ele é uma ótima forma de colocar mais gente na frente da sua vitrine, mas deixa para depois. Primeiro descubra quais conteúdos já funcionam sozinhos, e só então coloque dinheiro para eles chegarem mais longe. Impulsionar conteúdo que não funciona é pagar para mais gente ignorar você.

Etapa 2: dentro da loja (criar confiança)

A pessoa te seguiu. Ótimo, ela entrou na loja. Mas ninguém compra no primeiro minuto. Agora ela quer entender quem é você, se você sabe mesmo do que está falando e se você é gente como ela.

O lugar onde isso acontece é o story. O story é o seu balcão de atendimento. É onde você mostra a sua rotina, corrige uma redação ao vivo, conta como foi o seu dia de estudo quando você era concurseiro, responde dúvidas numa caixinha de perguntas. O feed mostra o que você sabe. O story mostra quem você é. E aluno de mentoria compra pessoa, não compra método.

Enquanto a pessoa está dentro da loja, ela também olha as prateleiras e as placas. No seu perfil, isso é a bio e os destaques. A bio precisa responder em uma frase: quem você ajuda e a passar em quê. "Professor de concursos | Apaixonado por ensinar" não diz nada. "Te ajudo a passar na discursiva de tribunal sem travar na prova" diz tudo. E os destaques são sua prateleira: coloca lá depoimento de aluno, como funciona a mentoria, perguntas frequentes. Quem chegou agora vai olhar isso antes de te chamar.

Tem mais uma coisa que quase ninguém faz e que eu considero uma das mais poderosas: conversar. Quando alguém responde um story seu, reage, comenta num post, essa pessoa acabou de levantar a mão e falar "oi, tô aqui". A maioria dos mentores responde com um emoji e segue a vida.

Não faz isso. Puxa conversa de verdade no direct. "Vi que você reagiu ao story da redação, você tá estudando pra qual concurso?" Não é para já mandar oferta. É para conhecer a pessoa, entender onde ela está travando. Esse é o tal do social selling que você deve ouvir por aí, e no fundo ele é só isso: vender conversando, como um bom atendente de loja faz. Muitas vendas nascem de um papo despretensioso no direct.

Etapa 3: o caixa (a hora da venda)

Chegou a parte que mais trava os mentores, e é aqui que eu vejo mais dinheiro sendo deixado na mesa.

Imagina entrar numa loja, ficar meia hora olhando, e nenhum atendente te perguntar se você quer levar alguma coisa. É o que acontece quando você posta um conteúdo excelente e termina o vídeo sem pedir nada. A pessoa gostou, concordou, e... foi embora. Não porque não queria, mas porque ninguém disse para ela o que fazer.

Então diga. Sempre. No final do vídeo, na legenda, no story: "Comenta REDAÇÃO que eu te mando o material", "Me chama no direct com a palavra MENTORIA", "O link pra entrar na turma tá na bio". Isso é o que o pessoal chama de CTA, que é só uma chamada clara para a pessoa dar o próximo passo. Parece óbvio, mas faz uma diferença enorme.

E aí entra uma ajuda que, para quem já trabalha, cuida de família e ainda dá mentoria, é quase um funcionário extra: a automação. Existem ferramentas que fazem o seguinte: a pessoa comenta a palavra que você pediu, e na mesma hora ela recebe automaticamente uma mensagem no direct com o material, o link ou o convite para conversar. Você pode estar no plantão, na aula, dormindo. A loja continua atendendo. Isso tira de você aquele peso de responder um por um, e ainda faz a pessoa receber a resposta no momento em que ela está mais interessada.

Duas coisas ajudam a pessoa a passar pelo caixa sem medo. A primeira é mostrar quem já passou por ali: print de mensagem de aluno, nota de redação que subiu, foto de aprovado. Quando o aluno vê alguém parecido com ele conseguindo, a desconfiança diminui. A segunda é dar um motivo real para decidir agora: "as inscrições dessa turma fecham sexta", "só tenho mais cinco vagas para correção individual". Só uma regra: tem que ser verdade. Prazo inventado queima sua reputação muito mais rápido do que ele vende.

Como os formatos se encaixam na loja

Se ficou muita coisa, resume assim. O Reels é a sua vitrine, é ele que traz gente nova para a porta. O feed, com carrosséis e posts mais completos, é o conteúdo que a pessoa salva e volta para ler, que mostra que você domina o assunto. O story é o seu balcão, onde nasce a confiança e onde você faz a maioria das ofertas do dia a dia. E o direct é o caixa, onde a conversa vira matrícula.

Nenhum deles funciona sozinho. Reels sem story traz gente que não confia em você. Story sem Reels fala sempre com as mesmas pessoas. E tudo isso sem uma chamada no final é loja cheia com o caixa fechado.

Os erros que eu mais vejo no dia a dia

Tem mentor esperando chegar a 10 mil seguidores para começar a vender. Lembra do mentor lá do começo, com 4 mil e zero alunos? Seguidor não vira aluno sozinho. Você começa a vender com a audiência que tem hoje, e é justamente vendendo que você aprende o que o seu público quer.

Tem mentor que só posta conteúdo técnico e nunca, em momento nenhum, fala que tem uma mentoria. O seguidor consome tudo de graça e nem sabe que existe algo para comprar.

Tem mentor que só lembra de vender no dia do lançamento, depois de passar semanas sumido. Aí aparece do nada oferecendo, e o público estranha. A venda é consequência do relacionamento que você construiu nos dias em que não estava vendendo.

E tem mentor que abre a loja segunda, terça e quarta, e depois some. Sempre volta para o passo zero.

Por onde começar amanhã

Se você só levar uma coisa desse texto, leva essa: abra a sua loja todo dia. Um story e um post no feed, todos os dias, estudando os formatos que já funcionam no seu nicho em vez de tentar inventar a roda.

Depois disso, termine cada conteúdo dizendo o que a pessoa deve fazer. E, quando alguém levantar a mão, converse com ela de verdade.

Não precisa de estratégia avançada, de equipe grande nem de mil ferramentas para começar. Precisa de porta aberta, vitrine arrumada e alguém no balcão disposto a atender.

Então me diz: hoje, a sua loja abriu?

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Guilherme

Escrito por

Guilherme

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